Análise Espacial e Temporal da Mortalidade por Doença Isquêmica do Coração e o Impacto da Cobertura Populacional da Atenção Primária no Estado de São Paulo

Curso: 

  • MPGC

Área de conhecimento: 

  • Gestão da Saúde

Autor(es): 

  • Marco Aurélio de Magalhães Pereira

Orientador: 

Ano: 

2020

FUNDAMENTOS: A doença cardiovascular e particularmente a doença isquêmica do coração (DIC) permanecem sendo problemas globais. Embora, a mortalidade pela DIC tenha reduzido, variabilidade geográfica e arrefecimento dessa redução tem sido reportado. Avanços nas análises espaciais permitem o desocultamento de padrões regionais e de efeitos de vizinhança na mortalidade por DIC. Entretanto, a presença de dependência espacial na mortalidade por DIC em São Paulo permanece desconhecida, bem como os fatores explicativos para a redução da mortalidade. OBJETIVOS: Os objetivos deste estudo foram: 1) testar a presença de dependência espacial e as tendências temporais da mortalidade por DIC no estado; 2) desocultar áreas potenciais de agrupamentos; e 3) avaliar os fatores relacionados à redução da mortalidade por DIC. MÉTODO: Dados secundários de mortalidade por DIC, dados censitários, cobertura da atenção básica (CAB) e suplementar, urbanização e número de empregos formais foram obtidos para os 645 municípios do estado. As tendências das taxas padronizadas de mortalidade por DIC (TMP) para cada município e regiões administrativas foram analisadas com a regressão JoinPoint. A TMP foi testada para a presença de dependência espacial com os testes de autocorrelação global de Moran, e a presença de agrupamentos, avaliada pelos indicadores de autocorrelação espacial local. Métodos de regressão linear, espacial e geograficamente ponderados foram elaborados para a avaliação dos fatores relacionados à TMP. RESULTADOS: No total, 485.898 óbitos por DIC foram reportados em São Paulo, entre os anos 2000 e 2017, resultando na média anual de 26.994 ± 1.747/ano. A TMP reduziu 3,2% por ano de 2000 a 2007, e 1,1% de 2007 a 2017, com variabilidade geográfica considerando as regiões administrativas. A distribuição da TMP no estado apresentou dependência espacial com Índice de Moran com valor-p < 0,01. Adicionalmente, agrupamentos significativos de regiões e vizinhanças com altas e baixas TMP foram demonstrados com expansão a partir da região metropolitana de São Paulo. O aumento da CAB associou-se com efeitos diretos (locais) e indiretos (transbordamento) na TMP de -10,8 e -4,8 (2007), -9,3 e -3,8 (2008), -8,9 e -4,6 (2010), -11,5 e -5,9 (2012) e -8,2 e -3,3 (2013), respectivamente, com valor-p < 0,05. CONCLUSÕES: Embora a TMP tenha demonstrado declínio entre 2000 a 2007, houve redução da magnitude da queda entre 2007 e 2017. Além da presença de dependência espacial, desocultou-se a presença de agrupamentos de altas e baixas TMP no estado. O aumento da CAB populacional associou-se com a redução da TMP com efeitos diretos (locais) e indiretos de vizinhança (transbordamento).

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