O SUCESSO E O FRACASSO DAS ESCOLAS PAULISTAS: O CASO DE MOGI DAS CRUZES

Autor(es): 

Jacqueline Yumi Komura - Orientador: Prof. Fernando Luiz Abrucio

Ano: 

2010

Instituição: 

FGV-EAESP

[INTRODUÇÃO] A Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) delinearam os objetivos e a estrutura da Educação no país, conferindo maior importância à temática. Desde então, o ensino básico de 1° a 4° série deixou de responsabilidade do estado para o município. Com a municipalização, o Ensino pode ser amplamente difundido. Entretanto, os avanços em universalização não foram acompanhados por avanços na qualidade. A qualidade da Educação vem sendo mensurada pelo Estado por meio das avaliações federais. As notas obtidas nestas avaliações refletem tanto as características econômico-sociais como também as variáveis intra-escolares, o “efeito-escola”. O objetivo deste trabalho é verificar quais os fatores que fazem diferença no desempenho do aluno, com especial atenção à gestão, tendo como foco duas escolas no município de Mogi das Cruzes. [METODOLOGIA] Para a seleção destas duas escolas foi utilizado o modelo estatístico de Francisco Soares, professor da UFMG. Este modelo previa a neutralização de fatores socioeconômicos, com o intuito de dar mais foco às características intra-escolares. Dessa forma, a EM Ana Lucia Ferreira e EM Ivete Chuery foram escolhidas por apresentarem resultados semelhantes para as notas de Matemática e distintos para nota de Língua Portuguesa. A partir da escolha, foram realizadas entrevistas de profundidade com as diretoras, supervisoras, professoras, funcionários, pais, além de representantes da Secretaria Municipal de Educação, além da observação direta. [RESULTADOS] Com a observação da realidade foi possível elencar alguns itens importantes para a composição do desempenho das escolas como perfil das escolas, histórico do diretor, clima organizacional, rotina administrativa e formas de gestão, relação da escola com a comunidade. Foi possível perceber que itens como a pequena estrutura física da escola acabam por impedir a realização de uma série de atividades por falta de espaço, além de não abrigar espaços complementares à Educação, como as bibliotecas. Essa falta de espaço disponível restringe as oportunidades conferidas aos alunos e isso pode impactar negativamente no desempenho. Outro ponto observado foi que ambas as escolas não contavam com o auxílio de uma coordenadora pedagógica o que fazia com que a diretora dividisse o tempo de trabalho entre as atividades administrativas e pedagógicas, com maior atenção às primeiras. Ademais, o trabalho de envolvimento da escola com a comunidade possibilita a realização de uma série de outras atividades por meio do voluntariado, ampliando o leque de experiências dos alunos envolvidos. [CONCLUSÃO] De maneira geral, há pouco acompanhamento das diretrizes pedagógicas ao longo do ano, sendo estas suprimidas pelas demandas administrativas. Ainda, a rede municipal implementou as escolas de período integral, sendo contempladas aquelas com maior disponibilidade de espaço. As escolas estudadas não puderam ser inseridas neste projeto, o que resultou em menor tempo disponível para realização de atividades diversas que poderiam aumentar, de maneira geral, o desempenho acadêmico. Por fim, envolver a comunidade com as atividades da escola abre espaço para que as pessoas sintam-se confortáveis e motivadas a contribuir com a educação das crianças, disponibilizando-se voluntariamente para promoção de aulas e atividades diversas.

Departamento: 

GEP

Anexos: