PAPEL DA MULHER NA ECONOMIA BRASILEIRA

Autor(es): 
Fábio Hanaoka - Orientadora: Prof.ª Leda Maria Vieira Machado
Ano: 
1997

[INTRODUÇÃO] A atual organização da produção apresenta um caráter dinâmico, sujeito à alterações profundas que atingem o mercado de trabalho e o modo como homens e mulheres se inserem no mesmo. Assim, o conhecimento de como se estrutura o mercado de trabalho, as formas contínuas de arranjo e rearranjo de suas atividades, bem como, os papéis destinados ao homem e à mulher contribuem para um melhor entendimento da questão principal a que se propôs esta pesquisa: estudar as razões, mecanismos e condições de inserção de homens e mulheres na economia, enfatizando a existência de áreas de atuação masculinas e femininas bem delineadas e separadas. Isto pode se revelar um importante subsídio, por exemplo, para a elaboração de políticas públicas de emprego. Estudos sobre o papel da mulher na economia se iniciaram a partir da década de 1960, aprofundando-se num salto qualitativo durante a década de 1980, quando surgem propostas de incorporação do conceito de gênero para o entendimento dessa questão. Percebeu-se então que através de relações socialmente construídas é estabelecida a divisão do trabalho por gênero, ou seja, que existem influências determinantes de gênero nas atividades que são destinadas ao homem e à mulher, bem como são importantes na formação de expectativas de comportamento distintas para ambos. [METODOLOGIA] A metodologia empregada foi a de revisão bibliográfica seguida da compilação de dados estatísticos obtidos do IBGE, PNAD, SEADE, sempre utilizando a questão de gênero como perspectiva para a análise do material encontrado durante a pesquisa. Muitas vezes, no entanto, esses dados não estavam disponíveis, ou quando presentes, refletiam distorções técnicas de pesquisa subregistros, etc, principalmente quando se tratava de quantificar a mulher. [RESULTADOS] Os resultados encontrados confirmam a hipótese de que a inserção da mulher no mercado de trabalho é ainda influenciada pela questão de gênero: a participação feminina na PEA é menor quando comparada à masculina (embora exista a questão do subregistro), apesar do crescimento expressivo nos últimos anos; o papel reprodutivo da mulher é crucial em determinar a participação da mesma no mercado de trabalho, na maioria das vezes funcionando como fator impeditivo; a posição ocupada pela mulher dentro da família influencia o grau de atividade da mesma; a remuneração das mulheres é inferior à masculina em todas as profissões; o leque de ocupações disponíveis às mulheres é mais estreito que para os homens; persistem para as mulheres as profissões ligadas ao ensino, enfermagem, indústria têxtil, além do que a participação das mulheres no setor de serviços é bastante relevante. [CONCLUSÃO] Ratifica-se portanto a hipótese adotada que relaciona a questão de gênero à inserção da mulher no mercado de trabalho, delineando muito bem os papéis masculinos e femininos. Existe todo um processo dinâmico que cria e recria nichos de atuação de homens e mulheres por toda a atividade econômica, na maioria das vezes submetendo as mulheres a uma condição inferior à masculina. Estes valores culturais e psicológicos construídos, embora sejam passíveis de modificações ao longo do tempo e do espaço, podem ser considerados como um dos fatores responsáveis pela subordinação da mulher no trabalho. Para que tivéssemos uma visão mais abrangente da questão, seria necessário realizar a intersecção entre gênero, classe e etnia.

Departamento: 
FSJ

Para ter acesso aos relatórios completos, entre em contato com o GVpesquisa, indicando o título do relatório e o ano de publicação.

3161 leituras

                                                                                                                                                                 

Educação Executiva Presencial, Customizada e a Distância

Publicações